Mitos e Fatos Sobre a Gestão da Água no País

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Mitos e Fatos Sobre a Gestão da Água no País

Comparado a outros países, o Brasil pode ser considerado um oásis quanto ao abastecimento hídrico. Porém, de 2014 a 2016 as crises se intensificaram devido à má gestão, e não só pelas mudanças climáticas.

Infelizmente, estão previstas novas crises hídricas para os próximos anos. Por isto, resolvemos destacar alguns mitos de fatos sobre o tema:

“Devido à grande quantidade de água no Brasil, o acesso do recurso é para todos”.
Mito – Apesar de o Brasil deter a maior reserva de água doce superficial do planeta terra, a distribuição deste recurso é desigual pelo território brasileiro. Só a Bacia do Amazonas concentra 68% de toda a água de superfície do País, onde vivem apenas 7% da população total.

“Somente o Estado deve se responsabilizar pelas políticas e cuidados com a água”.
Mito – Pelo menos no estado paulista, a incumbência de fornecer o abastecimento de água e de tratar o esgoto é da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), para 367 munícipios. Mas há uma lacuna: a responsabilidade de despoluição de rios e córregos fica dividida entre estado e munícipio. Por isso, é necessário que as prefeituras assumam determinada parte, como recuperar nascentes e definir planos de contingências emergenciais.

“A crise hídrica ainda se faz presente em São Paulo, porque não foi instaurada uma consciência sustentável da água”.

Fato – Muito pouco mudou da fase crítica da crise hídrica em SP. A falta de perspectiva de longo prazo assombra a possibilidade dos tempos de seca retornarem. A Sabesp conseguiu obter algum lucro no ano passado, devido à combinação de obras, redução de consumo e a volta das chuvas. Mas o problema é ainda iminente.

“A causa da seca em São Paulo foi a estiagem”.

Mito – Apenas no bioma da caatinga do Nordeste é possível falar em estiagem, nas outras regiões do Brasil fala-se escassez. Esta ocorreu pela má gestão, e não só pela falta de condições geológicas ou climáticas. A escassez sempre aconteceu na região do Sudeste, mas poderia ser melhor administrada, se os órgãos responsáveis estivessem preparados para as possíveis crises.

“A melhor opção é investir na construção de novas represas”.

Mito – Apesar da fixação que a sociedade tem nesta ideia, há outros caminhos plausíveis e sustentáveis para abastecer a população. Porém, para isto seria preciso de um cuidado maior com o saneamento básico, e a reposição da mata ciliar dos entornos das represas. Atualmente, no Brasil 34 milhões de brasileiros não têm acesso à água e apenas 50,3% dos brasileiros têm acesso à coleta de esgotos. E somente 42% do esgoto é tratado, segundo o Instituto Trata Brasil.

A proteção da região de represas também deve ser priorizada, para que possam se tornar mais robustas. “Construir mais represas são medidas paliativas, mas não essenciais. É melhor prevenir do que investir” afirma Pedro Jacobi, professor especialista.

“É possível que novas crises hídricas aconteçam por todo o Brasil”.

Fato – O padrão de chuvas tem se transformado para um menor número de precipitações, e os eventos climáticos têm se intensificado.